Eleições 2026: disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro na véspera do 1º turno, com 73% dos brasileiros defendendo a democracia


Datafolha divulgado nesta semana mostra empate técnico entre os dois líderes no cenário de segundo turno, enquanto pesquisa sobre regime político aponta crescimento do apoio à democracia, de 69% em 2024 para 73% em 2026.

 4 de outubro de 2026, dia do primeiro turno das Eleições Gerais

O Brasil acorda neste domingo, 4 de outubro de 2026, para o primeiro turno das Eleições Gerais, com um cenário político marcado por duas leituras aparentemente contraditórias — e que convivem lado a lado. De um lado, as pesquisas de intenção de voto confirmam uma das disputas presidenciais mais acirradas desde a redemocratização, polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. De outro, o apoio institucional e popular ao regime democrático nunca foi tão alto na série histórica recente: 73% dos brasileiros consideram a democracia a melhor forma de governo, segundo o Datafolha divulgado nesta semana.

A votação começa às 8h (horário de Brasília) e se encerra às 17h, em todo o território nacional. Mais de 158 milhões de eleitores est aptos a votar para presidente da República, governadores, dois terços do Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas. A apuração dos resultados começa a ser divulgada oficialmente a partir das 17h. Se nenhum candidato à Presidência alcançar a maioria dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá no dia 25 de outubro, último domingo de outubro, conforme o artigo 77 da Constituição e o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Números-chave na véspera da votação

  • 1º turno (votos válidos, Datafolha): Lula (PT) 45%, Flávio Bolsonaro (PL) 40%
  • 2º turno (simulação): Lula 48%, Flávio Bolsonaro 45% — empate técnico, com margem de erro de 2 pontos
  • Apoio à democracia: 73% consideram o regime a melhor forma de governo; 7% veem a ditadura como preferível em certas circunstâncias
  • Voto decidido: 82% dos eleitores com opção de voto dizem estar totalmente decididos
  • Rejeição: Lula e Flávio Bolsonaro empatam como os mais rejeitados, com 45% cada

Disputa presidencial: Lula lidera no 1º turno, empate técnico no 2º

O último levantamento do Datafolha antes do primeiro turno, registrado no TSE sob o número BR-08039/2026 e divulgado no dia 1º de outubro, ouviu 2.506 eleitores presencialmente, entre 29 de setembro e 1º de outubro, em 152 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

No cenário estimulado de primeiro turno, considerando o total de votos (incluídos brancos, nulos e indecisos), Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro — ambos oscilaram dois pontos para cima em relação à pesquisa anterior, dentro da margem de erro. Na contagem de votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, o presidente tem 45%, ante 40% do adversário. Na sequência aparecem o escritor Augusto Cury (Avante), com 4%, e os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ambos com 3% e 1% respectivamente no total de votos, além do coordenador do Movimento Brasil Livre, Renan Santos (Missão), com 3%. Nenhum outro candidato atinge 1%.

Os números projetam a ida de Lula e Flávio Bolsonaro ao segundo turno e mantêm o cenário de indefinição: na simulação de um eventual confronto direto entre os dois, o presidente tem 48% das intenções de voto, contra 45% do senador — uma distância de três pontos que, considerando a margem de erro de dois pontos, configura empate técnico. Na pesquisa anterior, de 24 de setembro, os números eram 47% a 45%.

Foto oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT nas Eleições 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, lidera o 1º turno com 45% dos votos válidos, segundo o Datafolha. Fonte: Ricardo Stuckert/PR, via Palácio do Planalto — Licença: CC BY 2.0 — Wikimedia Commons

O levantamento mostra ainda um eleitorado altamente consolidado: 82% dos que têm opção de voto no primeiro turno declaram estar totalmente decididos, e apenas 17% ainda podem mudar de ideia até a votação. Entre os eleitores de Lula, 88% estão convictos; entre os de Flávio Bolsonaro, 87%. Os dois também lideram o índice de rejeição, com 45% cada dos entrevistados dizendo que não votariam em hipótese alguma em um deles — um retrato da polarização que estrutura a disputa.

A fragmentação do restante do campo não se traduz em viabilidade de "terceira via": Cury, Caiado e Renan Santos somam, juntos, cerca de 10% dos votos válidos, patamar insuficiente para alterar a dinâmica de segundo turno. Entre os eleitores desses candidatos, as migrações simuladas pelo Datafolha favorecem Flávio Bolsonaro: 44% dos eleitores de Cury e 54% dos de Renan Santos migrariam para o senador do PL em um eventual segundo turno, contra 30% e 28% que optariam por Lula.

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República nas Eleições 2026, em discurso no Congresso Nacional
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, tem 40% dos votos válidos no 1º turno e aparece em empate técnico com Lula no cenário de 2º turno. Fonte: Andressa Anholete/Agência Senado — Licença: CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

Democracia com apoio recorde, apesar da polarização

Paralelamente à corrida eleitoral, o Datafolha divulgou nesta semana um levantamento sobre a percepção dos brasileiros em relação ao regime político — e os resultados reforçam a resiliência democrática do país em meio ao ambiente de confronto. O índice de preferência pela democracia subiu de 69% em 2024 para 73% em 2026, o maior nível da série recente.

"A democracia é vista como a melhor forma de governo por 73% dos brasileiros, com apoio similar entre eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro apesar da polarização." — Resumo da pesquisa Datafolha publicado pelo portal G1, em 2 de outubro de 2026

O dado mais significativo para analistas é justamente a transversalidade do apoio: 76% dos eleitores de Lula e 74% dos eleitores de Flávio Bolsonaro concordam que a democracia é sempre a melhor forma de governo — ou seja, o consenso democrático atravessa os dois polos da disputa. Outros 15% dos entrevistados responderam que, para eles, "tanto faz" o modelo de governo, e 7% declararam que, em certas circunstâncias, uma ditadura seria preferível.

A percepção de polarização, porém, segue majoritária. Pesquisa Datafolha encomendada pela OAB em julho de 2025 já apontava que 72% dos brasileiros percebiam o país como polarizado, contra apenas 16% que enxergavam harmonia política. O sentimento se reflete no humor do eleitorado: a avaliação do governo Lula é positiva para 35% e negativa para 41%, segundo o último Datafolha eleitoral, com 23% considerando o desempenho regular. Para 49% dos entrevistados, o trabalho do presidente é reprovado; 48% aprovam.

Como chegamos até aqui

O quadro de 2026 é herdeiro direto do ciclo político iniciado em 2018, quando Jair Bolsonaro venceu Lula — então impedido de concorrer — e inaugurou uma reorganização em torno de dois polos antagônicos. Em 2022, Lula derrotou Bolsonaro no segundo turno por 50,9% a 49,1%, em uma das eleições mais apertadas da história do país. O quadro atual repete a estrutura da disputa, agora com Flávio Bolsonaro como representante da direita e candidato à sucessão do bolsonarismo, num pleito em que o ex-presidente não concorre — nas respostas espontâneas do Datafolha, em que os nomes não são apresentados, Jair Bolsonaro ainda é citado por 4% dos entrevistados.

Institucionalmente, o período que antecedeu o pleito foi marcado pela preparação da Justiça Eleitoral e pelo calendário definido pelo TSE na Resolução nº 23.760: convenções partidárias entre 20 de julho e 5 de agosto, início oficial da campanha em 16 de agosto e propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV até 1º de outubro. O processo transcorre com mecanismos de fiscalização reforçados, incluindo auditorias de funcionamento das urnas eletrônicas e a verificação da integridade dos sistemas de totalização realizada no dia 3 de outubro, véspera da votação.

Urna eletrônica brasileira modelo UE2020, utilizada na votação das Eleições Gerais de 2026
Urna eletrônica modelo UE2020, utilizada pelo sistema de votação brasileiro. A apuração do 1º turno começa a ser divulgada a partir das 17h deste domingo (4). Fonte: Antonio Augusto/TSE — Licença: Domínio público (Public Domain Mark) — Wikimedia Commons

Próximos passos: o que acontece depois de hoje

Caso se confirme o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro — o cenário projetado por todos os levantamentos recentes —, o calendário da Justiça Eleitoral prevê: início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV de 9 a 23 de outubro; nova restrição ao transporte de armas e munições por colecionadores, atiradores e caçadores entre 24 e 26 de outubro; votação no dia 25 de outubro, das 8h às 17h; e divulgação oficial dos resultados a partir das 17h. A diplomação dos eleitos deve ocorrer até 18 de dezembro, e a posse do presidente e do vice eleitos está marcada para 5 de janeiro de 2027.

O que nenhuma pesquisa responde é quem vence. Com rejeição alta dos dois lados, eleitorado majoritariamente decidido e margem de erro apertada, o desfecho deve depender da mobilização final de cada campo, da abstenção e da migração dos votos dos candidatos de menor expressão. O que os dados de opinião pública deixam claro, neste 4 de outubro, é que o Brasil escolherá seu próximo presidente em um ambiente de disputa feroz — mas com uma base ampla e crescente de apoio ao próprio jogo democrático que dá sentido à eleição.





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